quinta-feira, 5 de maio de 2011

Seminário Mobilidade em Debate na Assembléia Legislativa

            O debate sobre mobilidade urbana na Assembléia Legislativa foi muito intenso. Os defensores do BRT compareceram em massa, levaram até três ônibus de pessoas de um mesmo bairro sendo que algumas delas não estavam muito interessadas no debate mas aplaudiam quando ouviam a palavra BRT. Utilizaram intensamente a argumentação da urgência para a implementação do corredor de ônibus em decorrência da copa de 2014, principal justificativa para a instalação de um sistema que não condiz com a necessidade da cidade de Salvador. Disse o deputado federal Nelson Pelegrino, defensor do corredor de ônibus: "se o BRT atender à cidade de Salvador por 10 anos ele estaria satisfeito com a escolha".  Concluímos que com este  pensamento de quem não consegue enxergar um palmo além da copa de 2014 todo o dinheiro que seria gasto com o BRT seria perdido em dez anos, quando a cidade teria obrigatoriamente de fazer um novo investimento em metrô.


             A prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, iniciou a sua explanação reconhecendo a importância do transporte sobre trilhos ao fazer menção ao transporte ferroviário e abordou também o projeto da cidade bicicleta com a construção de ciclovias em Salvador e Lauro de Freitas. Disse que o importante é fazer algo em termos de mobilidade urbana para a copa de 2014 mas que a copa passa e nós precisamos deixar um legado importante para a cidade. Mas terminou dizendo que entre BRT e VLT o que importa é que a solução seja para já. Concordamos com a prefeita por entender a necessidade urgente de se fazer algo pelo caos em que nos encontramos, mas ressaltamos que o transporte sobre trilhos (Metrô, VLT ou Trem) é um modelo mais moderno, consistente, integrado, limpo, confortável, permanente e que poderá oferecer um preço de passagem mais barato.  


             A respeito das notícias divulgadas na imprensa quanto à decisão pelo BRT ouviu-se do Sr. Valença, da Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia, que ainda não há nada definido quanto ao modelo de transporte a ser adotado e que a decisão será obtida com o resultado da PMI em andamento. Entendemos que tudo isso que foi falado de que a decisão já está tomada faz parte da estratégia da prefeitura, de políticos que não enxergam um palmo além da copa de 2014  e do sindicato dos empresários de ônibus - usando até ministro - para tentar calar a população quanto ao seu desejo de ter o transporte sobre trilhos (Metrô de superfície ou VLT).


           Segundo a professora Ilse Marília Freitas, da escola politécnica da UFBA e especialista em transporte e mobilidade, todo este debate agora tem sido muito importante para demonstrar que a sociedade está atenta à questão da mobilidade urbana e o que aconteceu com o Metrô de Salvador foi em decorrência da omissão da sociedade baiana quanto à fiscalização e acompanhamento da obra do Metrô, mas que agora tudo está diferente. 


           Já o professor Paulo Ormindo deixou bastante evidente o momento importante de decisão por qual estamos passando, ou seja, o modelo de transporte que for escolhido agora será definitivo para a cidade. Se escolhido o modelo sobre trilhos poderemos avançar de VLT para Metrô, mas se o sistema de corredor de ônibus (BRT) for o escolhido estaremos sempre dependente do ônibus e dificilmente haverá possibilidade de parar a cidade um dia para construir um sistema sobre trilhos. 


video


Assine o manifesto de apoio ao transporte sobre trilhos (Metrô/VLT).

3 comentários:

  1. O debate foi bom (teve até torcida organizada do BRT e lançamento de candidato a prefeito por alguns palestrantes e debatedores) para observarmos o comportamento dos defensores do BRT que não cansam de bater na mesma tecla da copa e do tempo.Entre os palestrantes o Sec. da Setim foi o mais fraco,acho que não consegui convencer nem a ele mesmo,ainda falou que o BRT tem a capacidade de transportar a mesma quantidade de psgs. de um Metro.????!!!!!A profa.da Ufba Ilse Maria teve um desempenho de razoável para bom,mais o destaque foi o prof.Paulo Ormindo que criticou duramente a forma como são feitos e executados os projetos viários de Salvador,onde as empreiteiras fecham o pacote;fazem os projetos,executam e exploram.Falou também da desordem urbana na cidade provocada pela incessante especulação imobiliária que tem causado ao longo do tempo serios danos a cidade.O prof. também condenou vigorosamente o projeto da Ponte de Itaparica SSA de custo bilionário e apresentou soluções alternativas com custo menor e mais viáveis para substituir a mesma.Sobre o VLT na Paralela disse ser a alternativa mais viável com possibilidade de no futuro o mesmo poder ser transformado em metro de superfície aproveitando a estrutura já existente,o que será praticamente impossível caso seja implantado ali o BRT.

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  2. Quem dita as regras para o PT baiano são os financiadores das campanhas.

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  3. Prezados,
    O debate sobre mobilidade urbana na ALBA, foi muito bom e a categoria dos debatedores chamou atenção. O que na minha opinião ficou claro, inclusive na fala do professor Paulo Ormindo é que todos os modais em discussão atualmente podem ser implantados em Salvador e resolver alguns problemas de transporte publico. Apesar de um discurso firme e bem construido sobre as possibilidades do VLT e do Metrô para a cidade o professor Paulo Ormindo em momento algum foi contra a implantação do BRT, inclusive dizendo que o mesmo pode se integrar a qualquer dos outros modais em debate. Ainda não tomei minha decisão sobre o que defender, porém acredito que a iniciativa da Deputada Maria Del Carmen na Assembléia e a postura firme e transparente do Deputado Nelson Pelegrino garantiram o exercício do contraditório e um debate amplo e franco. Faço um destaque as falações do Professor Climaco Dias que tocou na ferida da falta de planejamento para quem mais precisa do transporte publico. Outro destaque foi o professor Ormindo falando sobre os projetos apresentados que não vem do poder publico e sim da iniciativa privada, demonstrando uma total falta de gestão do poder publico municipal quanto ao assunto.

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